Dia 13 de maio – Dia da Abolição da Escravatura

Dia 13 de maio – Dia da Abolição da Escravatura

Escravo

Quando os portugueses chegaram ao Brasil e iniciaram o processo de exploração dos recursos naturais de nosso país, era preciso o trabalho de homens fortes que dessem conta de fazer serviços pesados. No começo eles tentaram escravizar os índios nativos mas não conseguiram pois estes eram protegidos por religiosos católicos que eram contra a escravidão indígena. Diante disso, restou a solução de ir buscar na África mão-de-obra forçada para a colonização do país.

Os negros chegavam aqui em condições precárias e muitos já morriam de fome ou doenças no trajeto entre a África e o Brasil. Os navios negreiros vinham lotados de escravos e demoravam meses para completar a travessia. Quando aqui chegavam eram recebidos de maneira cruel pelos senhores de engenho e seus capatazes e eram forçados a trabalhar de forma sobre-humana. Além de serem violentamente castigados quando não cumpriam o que seus senhores ordenavam. Foi diante da violência com que os negros eram tratados que o movimento abolicionista, ou seja, a união de pessoas que lutavam pelos direitos dos escravos, foi crescendo lentamente.

Apesar da escravidão no Brasil ter durado quase 300 anos, ao longo do tempo os escravos foram ganhando notoriedade e seus direitos foram sendo reconhecidos aos poucos. Em meados de 1850, o tráfico de escravos no Brasil foi extinto, proibindo a importação de negros escravos ao país. Vinte anos depois, em 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre, que libertava os filhos de escravos que nascessem a partir daquela data. Quinze anos depois veio a Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagenários, que libertava os negros escravos com mais de 65 anos de idade. E somente em 13 de maio de 1888 é que a Princesa Isabel, filha do imperador Dom Pedro II, assinou a chamada Lei Áurea. A Lei que libertou todos os escravos do país, abolindo a prática da escravidão no Brasil.

A palavra Áurea quer dizer “feito de ouro”, brilhante, nobre e, sem dúvida, é a Lei Nobre do país; a Lei que reconhece, finalmente, todo ser humano como ser humano. O 13 de maio foi tão significativo em nossa História que era feriado nacional até 1930 e consagrava a comemoração da fraternidade dos brasileiros.

Apesar da felicidade em ter seu direito humano reconhecido, muitos foram contra o projeto da Lei Áurea pois este não previa a garantia alguns direitos fundamentais aos ex-escravos como o acesso à terra, à moradia, à educação. Esse fator contribuiu para que os negros descendentes de escravos enfrentassem uma extrema exclusão social. E este é um reflexo que podemos ver até os dias de hoje, em que ainda temos que lutar pelos direitos da população negra no país.

Apesar de tudo, é uma data a ser bastante comemorada. É o dia do reconhecimento da vida com sua devida dignidade. Além disso, é quando, na Umbanda, comemora-se o dia dos Pretos Velhos.

Os Pretos Velhos são um arquétipo, ou seja, uma roupagem utilizada por milhares de espíritos de luz, que representam os negros escravos. O período da escravidão lapidou espíritos muito fortes, perseverantes e resistentes, que mesmo aprisionados, açoitados, humilhados, não se entregaram ao ódio puro. São espíritos que aprenderam a perdoar mesmo com o sofrimento da humilhação e tem por missão ensinar aos filhos da terra a lição primorosa do perdão. Além disso, nos ensinam também a respeitar aqueles que foram escravos, não duvidando de sua sabedoria adquirida na vida sofrida, nos fazendo entender que cor e classe social não significam nada diante uma palavra de amor e de conforto. Os Pretos Velhos são sempre alegres, risonhos, amorosos e extremamente pacientes com quem lhes pede ajuda. Eles nos orientam através dos reais valores da vida, da simplicidade, e desperta a humildade no coração de todos.

Muito temos que aprender com nossos queridos Pretos Velhos.

“Que as vibrações dos nossos queridos Pretos Velhos nos tragam ensinamentos superiores para que possamos entender a grandeza do amor universal emanado por Deus a todos os momentos da nossa existência”.